02. 03.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Os Sonhadores

The Dreamers (Reino Unido), Innocents (França), I sognatori (Itália) (br / pt: Os sonhadores) é um filme ítalo-franco-britânico de 2003, do género drama, realizado por Bernardo Bertolucci. O filme é baseado no romance de Gilbert Adair chamado The Holy Innocents, em português, Os Inocentes Sagrados. Adair foi quem elaborou o roteiro do filme.


Sinopse: Em maio de 1968, o jovem estadunidense Matthew, estudante de intercâmbio, vai para Paris para estudar francês. Completamente apaixonado por cinema, ele rapidamente faz amizade com a jovem francesa Isabelle e seu irmão gêmeo Theo. Os três têm, em comum, uma enorme paixão pelo cinema, sobretudo cinema clássico. A amizade entre eles começa a florescer. Matthew passa a descobrir uma intimidade fora do comum, da qual os irmãos franceses compartilham, em meio a jogos psicológicos sob a temática do cinema clássico. Matthew fica inicialmente confuso e impactado, mas aos poucos começa a ser atraído para o mundo deles. Por todo o tempo eles vivenciam uma paixão mútua e isolam-se totalmente do mundo, distanciando-se completamente do contexto conturbado em que vivia a França em maio de 1968. Entretanto, o profundo relacionamento entre eles é abruptamente interrompido, quando percebem o enorme estardalhaço vindo das ruas de Paris. Havia estourado uma grande rebelião de estudantes e, como que se acordassem de um sonho, decidem unir-se ao movimento.


Ficha técnica:
* título original:The Dreamers
* gênero:Drama
* duração:02 hs 10 min
* ano de lançamento:2005
* site oficial:http://www.the-dreamers.com/
* estúdio:Fiction Films / Peninsula Films / Recorded Picture Company / Hachette Première / Kushner-Locke Company / Murakami-Wolf Productions
* distribuidora:Fox Searchlight Pictures
* direção: Bernardo Bertolucci
* roteiro:Gilbert Adair
* produção:Jeremy Thomas
* fotografia:Fabio Cianchetti
* direção de arte:
* figurino:Louise Stjernsward
* edição:Jacopo Quadri


Elenco:
* Michael Pitt (Matthew)
* Louis Garrel (Theo)
* Eva Green (Isabelle)
* Robin Renucci (Pai)
* Anna Chancellor (Mãe)


Referências a outros filmes:
* Bande à part
o Isabelle, Theo e Matthew correndo no Louvre, tentando quebrar o recorde (9 minutos e 43 segundos) de Bande à part.
* Freaks
o Isabelle e Theo aceitam Matthew depois da corrida no museu, dizendo: "We accept him, one of us"
* Persona
o Pôster de Liv Ullman e Bibi Andersson em Persona no apartamento de Matthew.
* La Chinoise
o Pôster do filme no quarto dos gêmeos.
* Queen Christina
o Isabelle atua imitando a personagem de Greta Garbo, dizendo "memorizes the room" na primeira noite que Matthew dorme em sua casa.
* Mouchette
o Depois que Isabelle tenta matar os três com gás de cozinha, fecha os olhos e passam cenas do suicídio de Mouchette.
* Shock Corridor
o É o filme que Matthew está assistindo no cinema, quando ele diz que gosta de sentar na frente para ser o primeiro a receber as imagens.


Curiosidades:
* Jake Gyllenhaal, Jerist Aguilar e Leonardo DiCaprio foram contactados para o papel do personagem Mathew. Gyllenhaal não aceitou pela natureza erótica de algumas das cenas. DiCaprio não pôde aceitar por estar participando da pré-produção do filme The Aviator.

* O livro continha um ménage à trois (com cenas explicitamente gays), mas Bertolucci decidiu cortar todas as referências excessivas a homossexualidade no filme. Apesar da insistência dos fãs, estas cenas sequer foram gravadas.

* Não estava programado para o cabelo de Eva Green pegar fogo, mas a atriz reagiu tão calmamente ao episódio que Bertolucci resolveu incluir a cena na edição final.

* O filme não foi bem recebido pela crítica francesa. O diretor Bertolucci sofreu também duros ataques da crítica italiana. No Brasil, foi o filme mais visto no Festival do Rio, bem como na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.


Comentário:

Se o cinema é uma religião, “Os sonhadores”, de Bertolucci, é a missa. Dez razões para isso:

1) O longa é uma confissão de fé e paixão ao cinema, em que o diretor homenageia seus filmes favoritos.

2) Estruturada em tricotomias, a obra de Bertolucci pode ser alicerçada no trinômio cinema-sexo-política.

3) A 7ª arte tem sua história reinventada através da trajetória dos protagonistas. A reclusão dos três no apartamento é a metáfora da sala escura, que isola os espectadores dos problemas externos - o que eles vivem ali é cinema, enquanto nas ruas o maio de 1968 acontece. A sua relação reflete as três fases do cinema: a inocência da era muda, reforçada pela linguagem corporal, quando se conhecem; o prazer e a beleza do período clássico, no desenvolvimento da amizade; o questionamento do cinema moderno, quando Matthew (Michael Pitt) se pergunta o que eles estão realmente fazendo no apartamento.

4) Três vertentes da política se encontram nos personagens de Theo (Louis Garrel), o pensamento revolucionário que age; seu pai (Robin Renucci), um poeta desencantado e anarquista acomodado; e Matthew, que se declara um pacifista - o revolucionário utópico irrealizado.

5) O sexo tem seu vértice na bela Isabelle (Eva Green), que desperta desejo e medo com sua volúpia. Na tradição de Bertolucci, em que sexo é prazer, castigo e transformação, a fotografia de Fabio Cianchetti compõe belos planos com os corpos dos três jovens, num explícito que não é gratuito (“Ken Park”) nem etéreo (“Filme de amor”).

6) A trilha mescla o rock’n’roll e o clássico, reflexo da discussão sobre contestação política e cinema.

7) Cenas e diálogos têm múltiplas interpretações e significados, como no jantar em que o discurso sobre um isqueiro mostra como Michael se encaixa de imediato no ambiente da família de Theo e Isabelle.

8) A teoria de que, em uma revolução, o que importa é a transformação do sujeito e não os motins nas ruas. “Os sonhadores” é sobre maio de 68, mas não explora as imagens redundantes das manifestações. Os conflitos vividos pelos personagens no apartamento é um retrato muito mais interessante do que aquele período representa.

9) Uma metáfora do final do filme, em que Bertolucci prova que o socialismo utópico só se realiza no cinema: o povo se farta de vinho e prazer, numa comunhão provida pelo “Estado” (ou o responsável pela ordem).

10) A beleza das imagens e interpretações é tão apaixonante que, mesmo o filme sendo um banquete de referências cinematográficas, não é preciso conhecê-las para comungar de seu sabor.

Você não tem que ser um expert para apreciar “Os sonhadores”. Basta amar o cinema. Nesse caso, o filme é obrigatório. E quem sou eu para dar nota a Bernardo Bertolucci.


Trailer Oficial:


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